terça-feira, 23 de setembro de 2008

Conversa no chapa!!!

Eu: Ola!
Ela: Oi.
Eu: A vir da escola né...!!!??
Ela: Agora, venho do job.
Eu:Ta bom, ...é que a tua roupa me parecia uniforme escolar!
Ela: Por acaso é, só que saio da school as 12h e vou logo jobar e não há time de ir para casa mudar de roupa. Apenas chego lá e ponho uma bata por cima ....
Eu: Ah ta bom. A propósito, que classe frequentas?
Ela: 11ª clase, na escola Particular bla bla bla..
Eu: Imagino, quão dificil é conciliar escola e job.
Ela: É dificil sim, sobretudo do lado da school mas no job não há stress, sabes como é... quando o assunto é taco....!!!
Eu: Risos
Ela: A vida é assim mesmo, é tchova tchova!
Eu: É verdade, temos mesmo que tchovar. E, onde é que tas a jobar?
Ela: Numa empresa da minha tia.
Ela: De que ramo é a empresa?
Ela: Agência Funerária......
Eu: hummmm, hein hein..... ( sem palavra!). A quanto tempo trabalhas com ela?
Ela: Trabalho já a uns 3 ou 4 anos com ela.
Eu: Hmmm, humm. As mulheres não gostam de revelas suas idades, tu te importarias em me dizer a tua?
Ela: 19 anos.
Eu: Muito jovem ainda.... mas que fazes exactamente lá?
Ela: Tudo que se faz numa agência funerária. No início ficava apenas na secretaria mas agora por causa do aumento da clientela, faço tudo.
Eu: Tem muitos clientes?
Ela: Claro! Nós as vezes trabalhamos até tarde... sabes como é, cliente não quer saber... quer o trabalho bem feito a tempo e se nós não nos esforçarmos poderemos perder a clientela.
Eu: hummmm
Ela:É um job muito duro.
Eu:... é verdade e imagino quanto medo tens, qundo chamada a cuidar dum morto!!!
Ela: No inicio tinha medo, agora já superei.
Eu: hmmm.....em que área queres te formar, assim que concluires a 12ª.
Ela: Bem, eu quero ser uma parteira mas também quero ter meu proprio negócio.
Eu: Humm, que bom. Tens uma veia empreendedora, Guebas ia gostar de saber. E que negocio?
Ela: Guebas ia sim....quero apostar no que já sei fazer.....quero ter uma agência funerária.
Eu: humm (boca-aberto)!!!!
Ela: Desculpe, tenho que ficar aqui no Cine-Africa. Preciso de pegar uma brother que veio ao casting do Fama Show
Eu: Ta bom, passe bem....!!!!!!!

8 comentários:

Jonathan McCharty disse...

Epa Saiete!
Tiveste uma conversa interessante e muito pouco usual, hehe!
Acho que ate' deves ter ficado com medo, e "amanha" pensaras 2 vezes antes de meter conversa, hehe! Gostei de saber da veia empreendedora dessa jovem! E' assim que iremos combatendo gradualmente a "slave mentality" que nos tem aprisionado nos empregos pelo resto das nossas vidas!

X!mb!t@nE disse...

Cruz, credo! Tao jovem e ja coabita com a morte de perto? Realmente os nossos valores estao perdidos.

Se a memoria nao me trai, a primeira vez que participei numa cerimonia funebre foi aos 18 anos e era um familiar muito proximo. As outras idas a "ultima morada" eram apenas nas missas.

Tristemente hoje muito cedo se convive com a morte. Faz-me recordar a chatice que tive ha pouco tempo quando faleceu um ente querido e queriam que a minha filha, na altura com 4 anos fosse a cerimonia!

Levantei um pé de vento, nao acho correcto que se viva tao cedo com a morte, é dai que vem o desrespeito.

Jorge Saiete disse...

Jonathan,
Na verdade pensarei muito antes de me meter conversinhas.A menina é mesmo empreendedora e já com um negocio claramente definido e experiencia no ponto. Ela parece que conhece aquele ditado Chines que nós os gestores tanto gostamos: Pensar "grande", planificar "pequeno" e começar hoje. Abraço

Jorge Saiete disse...

Amiga Xim,
A morte a muito que perdeu o peso que tinha em nossas mentes. Não é por acaso que para além de ser fonte de riqueza é motivo para muitas e boas festas. abraço

X!mb!t@nE disse...

Que horror!

Anónimo disse...

Ricardo Cossa

Parabens para ela, pela coragem de ter identificado a sua profissão e mais pela reconciliacão do job com aulas.

Quanto ao Dr. pelo que endendo, parece que não acha normal o emprego dela. Se assim for, te convido a quebrar tabus.

Este e um verdadeiro sinal de amor, numa altura em que todos temem o morte aparece alguem a dar o amor que aqueles que devolveram a alma ao criador necessitam.

Temos que educar as criancas a ver a morte como algo normal e ensinar como devem tratar.

Sào quantas criancas que perdem familiares nas suas mãos, ou que dao a ultima gota de agua ao doente, ou cuidam de doentes em coma até a sua recuperacão.

Nao temos como, como dizia o meu avô "o tempo mudou". Agora jovens temos que fazer tudo; actividade de criancas de jovens e de adultos ao mesmo tempo.
~
Nào

X!mb!t@nE disse...

Ricardo Cossa, receio não concordar consigo. Cuidar de um doente as portas da morte, é uma coisa. Isso sim, temos que incentivar as crianças a terem o cuidado de não discriminar o doente.

Agora lidar com cadaveres como se de paezinhos se tratassem, faça-me o favor! Se com o doente de casa há cuidados especiais a ter, tendo em conta o tipo de enfermidade que não raras vezes nem sequer é conhecida o que se pode fazer de cadaveres desconhecidos?

Concordo que seja salutar conciliar a escola e o trabalho, mas nao esse trabalho e nessa idade!

Jorge Saiete disse...

Aló amigos, Cossa e Ximbitane,
Perdoem-me não ter interagido com vosco por 4 dias. é que o meu fim de semana começou na quarta-feira e como sabeis, em Nkobe não há net ainda.

Quanto ao ponto que Cossa levanta, embora respeite seu posicionamento, sou forçado a ficar do lado da Ximbitane e subscrever tudo que ela defende3. Eu acho bom que haja mudança na nossa abordagem a certos assuntos, contudo ha uns pontos que acho que deviamos mante-los tabus para o bem da nossa moral colectiva.

Trabalhar com mortos devia ser reservado a gente crescida que bem entende da vida e não a uma adolescente como ela.