quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bárue: da resistencia a perdição

Estive por cerca de 5 dias na vila de Catandica, sede do distrito de Bárue, na ultima semana de Março. Bárue é daqueles locais incontornaveis na Historia de Moçambique, sobretudo por ser um dos sitio onde os colonos transpiraram até a exaustão. Aliás, quando lá estive, concidi com as comemorações de mais um aniversário da revolta de Bárue.
Fiquei deveras feliz por ter tido a oportunidade de privar com profundos conhecedores da historia local. Entristeceu-me, no entanto, a fraca divulgação das festividade de Bárue. Difentemente das manchetes noticiosas relativas a Gwaza Muthine, quando viramos para Bárue pouco ou nada se diz na maioria dos órgãos da comunicação social.
Mas como por cima de um lindo pano cai a péssima nódoa, conheci em Bárue um régulo perdido no tempo. Um régulo que ainda não percebeu que estamos em 2010. Contam as populações de Bárue que o régulo é um osso dificil de roer, tudo por causa das suas atitudes imprevisiveis. Contaram-me que aquele régulo está envolvido numa campanha espacionista. É isso, campanha espacionista, tal como faziam os Tchakas, Ngungunhanas, etc. O homem acredita que todo o território do que hoje é distrito de Bárue, fora dos seus antepassados e por isso, só ele pode mandar em todo ele. E em extensão, não tolera a existência de outros régulos.
Quando encontrei o temido régulo, ele ia acompanhado de dois capangas seus, que ele os chama de guarda-costas. Dizem os que melhor o conhecem, que quando o homem circula fora da vila, os capangas levam consigo machados e catanas para, supostamente, protegerem o régulo selvagem.
O temido régulo de Bárue, pratica as mais bizaras acções, desde prisões arbitrarias às populações indefesas, até ao desrespeito às autoridades Estatais. Dizem que, chegou a prender um clérigo que o encontrou a orar junto a uma montanha. Segundo contam, o régulo não gostou de encontrar o clérigo a orar naquela montanha sem antes ter solicitado autorização para o efeito e por isso o pastor foi sujeito a 3 dias de jejum forçado e obrigado a abrir, sem nenhum instrumento, uma cova de cerca de 5 metros de profundidade.
O temido régulo de Bárue, manda e desmanda e ultimamente decretou que, as comunidades por onde ele passar devem lhe assegurar mantimento, desde carne de galinha até a de cabrito. Afinal ele é o régulo.
O régulo de Barue é regulo mesmo...

8 comentários:

Julio Mutisse disse...

Hehehehehe. Tenho que ir a Manjacaze procurar o fio de um possível regulado nosso...

Jorge Saiete disse...

Força Julio, mas esteja preparado para o que vais encontrar no terreno

Chacate Joaquim disse...

A autoridade tradicional esteve parado no tempo mano e com esta abertura, começa-se por ondem parou! Quem é o responsável de não evolução desta autoridade? por que temporariamente esteve banida esta autoridade se tem alguma utilidade? Achamos que a educação tem muito trabalho aqui, tanto para as autoridades locais como para os dirigentes superiores do Estado no que tange a ética governativa.

Anónimo disse...

Em terra de cegos, quem tem olho é rei...
Acho isto um abuso de poder e um oportunismo sem limites.
Maria Helena

Jorge Saiete disse...

Hehehe, Chacate se eu fosse Fred Jossias diria: Há biffs na área.

Mano, houve falhas no processo que culminou com a indicação destes sujeitos porque muitos deles não entendem muito bem até onde vai o seu poder

Jorge Saiete disse...

Verdade Helena, estamos perante um abuso de poder e há que se tomar medidas antes que a coisa piore

André van Dokkum disse...

Quem era este régulo? E quando ocurreu este episódio?

André van Dokkum disse...

Quem era este régulo? E quando ocorreu este episódio?