terça-feira, 2 de outubro de 2012

Sr. Dhlakama! Podemos nos reconciliar?


O país celebra a passagem de 20 anos da assinatura dos acordos de Roma. Acordos que, para a família Saiete, representaram apenas o calar das armas e não a paz. É que a paz significa muito mais do que um simples cessar-fogo. A paz significa reconciliação, não só, entre os contendores mas também entre àqueles e os cidadãos que não tendo nenhum interesse no conflito acabam sofrendo os seus efeitos.
 
A minha família, como tantas outras, sofreu com a guerra e 20 anos depois não vive a paz que é direito de todos moçambicanos. É que a nossa paz nos foi roubada em 1985 por cerca de duas dezenas de guerrilheiros da Renamo que impiedosamente entraram em nossa casa, lá para o interior de Morrumbene e capturaram o meu irmão Bernardo.
 Na altura mano Beri ou Berinadwane, como carinhosamente o tratávamos, tinha apenas 11 anos, ou seja sem idade para entender de política e muito menos para ser militar de qualquer exército dirigido por gente coerente.
É que se o objectivo da Renamo era derrubar o governo, não consigo entender como é que os homens de Dlhakama terão perdido e foco e descarregado a sua fúria sobre uma criança inocente de apenas 11 anitos.  
Berinadwane não representava nenhuma ameaça para Dlhakama  e porquê é a Renamo o levou?
Ao comemorarmos 20 anos dos acordos de Roma, seria de bom tom que Dhlakama viesse nos responder as seguintes questões:
  1. Onde anda o cidadão Bernardo Eugénio Saiete, capturado pelos seus homens em Mocoduene, distrito de Morrumbene em 1985?
  2.  Esta ele vivo ou morto? Se morreu, onde é que o sepultaram?

segunda-feira, 14 de maio de 2012

PORQUÊ ELOGIAR?

Porque todos aqueles deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobeja; mas esta, da sua pobreza, deitou todo o sustento que tinha" (Lucas 21:4).
"Filha, a tua fé te salvou" (Marcos 5:34).
Hoje é segunda-feira e antes que a “fissora” me peça para apresentar a o TPC, vou já terminar a minha redacção sobre o fim-de-semana. Queria alertar para o facto de ao longo do weekend muita coisa ter acontecido e que apenas irei relatar dois momentos mais marcantes, começando pelo evento de ontem, domingo.
 Bem, ontem logo cedo fui, como habitualmente, ao culto dominical e a pregadora levava uma mensagem retirada do primeiro e do terceiro livro do Novo Testamento, Mateus e Lucas. Em Mateus ela foi buscar a história da mulher pobre. Aquela mulher que entregou ao Senhor as únicas (duas) moedas “de prata” que tinha em sua vida. O gesto daquela mulher foi enaltecido por Jesus. É que enquanto os demais “deitaram para as ofertas de Deus do que lhes sobejava, a mulher pobre, deitou todo o sustento que tinha" (Lucas 21:4).
Em São Lucas, a pregadora foi trazer uma outra mulher. Desta vez, se trata de uma mulher que padecia de uma doença rara e já na fase terminal. O interessante é que a mulher sabia que Jesus a poderia curar, no entanto, ela tinha de ter força e energia suficientes para poder enfrentar uma enorme multidão que cercava o Salvador, até alcança-Lo e ao menos tocar em suas vestes. A bíblia conta que a mulher enferma usou toda a sua força e conseguiu os seus intentos. Desta história a parte mais interessante reside no facto de Jesus ter enaltecido o gesto daquela mulher, como uma verdadeira demonstração de fé: "Filha, a tua fé te salvou" (Marcos 5:34).
Tanto em Mateus como em Lucas, Jesus elogia o esforço e a determinação daquelas mulheres. Ele, mesmo consciente do passado pecaminoso delas, enalteceu a fé demonstrada pelas atitudes que as duas mulheres acabavam de tomar.
Jesus usa, nas duas situações, o elogio como uma forma de encorajar as duas mulheres e aos demais a compreenderem o valor do bem. Jesus prefere não as repreender por causa dos erros do passado e que na lógica da sociedade em que viviam, a pobreza da primeira mulher e a longa hemorragia da segunda eram consequências naturais dos seus pecados.  
Eh pessoal! Há que se recordarem de que estamos perante uma redacção e porque na minha turma somos 69 para uma única “fissora” tenho que evitar me alongar para permitir que ela tenha espaço e fôlego para as redacções dos outros colegas.
O outro evento que me marcou e que vale a pena partilhar é o Nkobe Pork festival organizado pelo meu amigo e vizinho Lazaro Bamo. O encontro contou com convidados de luxo, como eu. Sim, eu sou de luxo. É que Bamo não convida qualquer manambwa(?). O evento que contou ainda com a presença de gente lúcida e esclarecida como Vaz, Nero, Nadja (coitado de mim que com o meu matswa accent não conseguia pronunciar este nome), Nyikiwa, Mutisse, Mbambamba, Mapengo, Colaço, a MP sensação (Soares), Mussá, Alfazema e tantos outros jovens e madalas esclarecidos deste Moçambique. Na lista dos madalas, há que destacar a presença do edil da Matola, o tal que ficou por reabilitar a Avenida de Nkobe.
Antes que a “fissora” me acuse de ter feito uma redacção com dois eventos em que um não tem nada a ver com outro, além do facto de eu ter participado nos dois, vou já apresentar a ponte.
O primeiro evento nos recomenda a usar o elogio como uma forma de encorajar as boas praticas, acções e ou atitudes que os nossos semelhantes tomam. E é isso que eu quero aqui fazer. Elogiar ao Bamo por ter tido a boa e oportuna ideia de reunir jovens de diferentes vivências e sensibilidades “em volta de um porco”. Com a merecida ressalva de a factura “todinha” ter ficado para ele, como bom hospedeiro.
Mas se Jesus no ensina a usar o elogio como arma de mobilização para o bem, então há que recordar que, uma boa parte de jovens esclarecidos, deste país, tem não raras vezes se esquecido de elogiar as boas praticas que o nosso governantes tem tido. Muitas vezes nós enxergamos apenas o que é mau e raras vezes encorajamos ou elogiamos o que de bom ou saudável é feito.
Porque o elogio é um instrumento valioso na construção de plataformas ou pontes que nos levam a sã convivência futura, sou de opinião de que sempre que possível devíamos elogiar as boas acções das pessoas que elegemos, da mesma forma que as criticamos quando justificado!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ben Alí, o presidente fugitivo

Um dia chegará em que o cajú estará suficiente maduro para cair da árvore. Juiz Augusto Paulino
Não há duvidas que na atitude de Ben Alí, o fujão, as palavras de Augusto Pulino encaixam que nem numa luva. Demorou mas o cajú amadureceu e caiu. Caiu e de nariz, afinal não quiz olhar para a terra durante a sua subida. Nao criou condiçoes necessarias para que, os que estivesse em terra se preparassem para recebe-lo em caso de queda.
O nosso fujão, quando ainda saboreava o ar puro das alturas, não poupava as palavras e nem perdia tempo seleccionando os adjectivos para que nao se valesse dos mais violentos contra os seus compatriotas. O fujão embalado pelo vento das alturas, pintou de terrorista ao povo esfomedado que nada exigia, para além de pão para enganar o estomago.
Ben Alí, o Zeinadine, usou a mais violenta e brutal força militar e policial contra os seus compatriotas que pediam apenas as migalhas da sua afortunada mesa. Mas como o ultimo a rir, o faz melhor, o povo tunisino 23 anos depois , matou o cão tinhoso.
Espero eu, que o desmoronamento do Ben Alí, sirva de licção ao outros Alís espalhados por toda a nossa sofrida África. Que os outros Alís comecem a respeitar o povo que os ajudou a galgar até as alturas, que sejam mais comedidos nos seus discursos, para que nunca e nunca mais nenhum filho de Africa que tenha tido a sorte de estar nas nuvens, em vez de descer no fim da sua trajectoria, fuja para as Arabias.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Atire a primeira pedra quem nunca pecou

E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério. E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio acto, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra. E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. Joao 8:3-7

O ano 2010 se foi a menos de uma semana. Para muitos, incluindo a minha pessoa, 2010 é um ano para esquecer. É um ano para esquecer porque o custo de vida atingiu um pico assustador e isso foi suficiente para deixar bem furado os bolsos de muitos, já a bastante tempo esburacados. Aliás foi o elevado custo de vida que nos conduziu ao tenebroso 1 e 2 de Setembro.

Em 2010, foi também um ano negro no campo de debate, aqui na blogsfera. Sim, passamos quase todos os doze meses envolvidos em mordidelas ruidosas, que só contribuiram para escangalhar todo um saboroso e construtivo debate que aqui fluia antes da euforia eleitoral de 2009. E quanto a mim, a forma apaixonada e descuidada como nos envolvemos e ou interpretamos o corre-corre eleitoral de 2009 representou um marco negativo e que evenenou todo um sadio debate na nossa blogsfera. É que durante todo 2010, na maioria das vezes, postavamos ou para denegrir ou para exaltar uma determinada cor política.

Em 2010, foram aprimoradas as estrategias “escovistas”. Todo mundo tentava mostrar uma cara perfumada e simpatica ao seu suposto idolo político. Como tal, nem que o idolo fosse achado com a boca na botija, o escovador fingia nao ter visto, nem que para tal tivesse que criar condiçoes para todo mundo questionar a sua lucidez, seja academica ou de outra indole. Em 2010 só se escovava, e alguns mais gulosos e avarentos, prefiriam engolir toda a bota do idolo para que os outros nao tivesse a acesso a ela.

Por causa da pobreza do debate que existia na nossa blogsfera, muitos dos que a ele nao se reviam, enfiaram-se num assustador silencio, como se de avestruzes se tratassem. Muitos foram os bloguistas que viraram as suas atençoes para outros pontos onde podessem achar um ar puro e sadio para expressar as suas ideias.

Em 2010, a minha Matola continou orfã. A nossa edilidade continuou gatinhando e muito aquém das expectativas dos municipes. As estradas continuaram esburacadas, a resposta as solicitaçoes dos municipes, mormente no campo de licenciamento de DUATs continua assustadoramente lento. O lixo continua em quantidade industriais, aliás em muitos bairros nem se conhece a cor do carro da salubridade, apesar de mensalmente o municipe contribuir para os cofres municipais.

Uma boa parte do simples cidadaos também aproveitou 2010 para dificultar ainda mais a vida dos governantes, ora deitando o lixo em locais ou momentos inadequados, ora destruindo ou removendo os recipientes deixados pelo municipio para nele se depositar residuos solidos. Outras pessoas, adoptaram as mais bizaras artimanhas para nao pagaram as suas obrigaçoes enqunto municipes, refiro-me as variadas taxas devidas pelo cidadao. Outros municipes ainda, ao invez de contribuirem no combate ao crime, mediante a denuncia dos meliantes à policia, preferiram protege-los e assim dificultar ainda mais os esforços vizando garantir a segurança de todos nós.

Nao posso, de maneira nenhuma, terminar este post sem dizer bem alto que, foi em 2010 que a EDM assegurou a iluminaçao pública a quase todos bairros da nossa Matola, tornando facil a nossa vida nocturna enquanto municipes e dificultando a daqueles que se valiam da escuridão para assaltar e ou violar estudantes e trabalhadores a caminho das suas casas.

Em suma, 2010 foi um ano cheio de coisas ruins. Contudo, nao me parece util neste momento tentar atirar pedra a quem quer que seja. Aliás, em 2010 todos nós, governantes, academicos e cidadaos comuns contribuimos de uma e doutra forma para que 2010 fosse o que acabou sendo. Útil porém, é todos nós aprendermos com os nossos erros e procurarmos assegurar que 2011 seja um ano diferente e que no seu final todos nos possamos orgulhar pelos nossos feitos. A todos amigos e visitantes deste espaço, um bom 2011.

E desta forma anuncio o meu regresso a blogsfera.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Negócio do SIDA

aqui que o Ministério da Saúde Brasileiro anunciou que pessoas que mantiveram relações sexuais sem preservativos e que correm o risco de infecção pelo vírus HIV poderão solicitar medicamentos antirretrovirais como forma de prevenção. Segundo a noticicia , para ter acesso aos remédios, qualquer indivíduo deve procurar um dos 700 centros de referência no tratamento de HIV-SIDA em até 72 horas após a relação sexual desprotegida, mas o ideal é que sejam duas horas.
Esta notícia me deixou de alguma forma perplexo. Se se sabe que tomar anterretrovirais, duas horas após a relações sexuais desprotegidas previne a contaminação, porquê é que esta medida não é popularizada?
Já se disse várias vezes que as mulheres, especialmente em Africa, têm fraco poder de negociar o uso do preservativo junto aos seus parceiros, por factores económicos e culturais, porquê é que não se dissemina o uso de anterretrovirais após o acto sexual. Nem que para tal, elas tenham que o fazer as escondidas.
Quantas trabalhadoras do sexo seriam salvas com esta medida? Quantas vítimas de violação sexual terias suas vidas poupadas? Quantas crianças teriam a possibilidade de crescer com o carinho e calor das suas progenitoras?
Alguma razão especial para deixar pessoas sucumbirem quando existe uma saída que reduziria o número de novas infecções?

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

monyo-monyo lipatu

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Alimentos não são uma mercadoria qualquer

Nos passados dias 1 e 2 de Setembro, assistiu-se em alguns bairros populares da cidade de Maputo, capital de Moçambique, e na cidade da Matola, uma cidade da cintura industrial de Maputo, a manifestações populares de grande violência, saque de bens alheios, públicos e privados, por parte de alguns elementos da população, e a uma repressão muito violenta da parte das forças policiais, podendo se deplorar a morte, por bala, de treze pessoas confirmadas, entre as quais duas crianças.
A UNAC, União Nacional de Camponeses, condena tanto o uso da repressão cega e da força letal por parte das forças da ordem, como a destruição gratuita de imóveis, veículos, bombas de gasolina e outras estructuras físicas por parte de elementos da população. Além disso, a UNAC deplora profundamente a morte de inocentes, que se encontravam no local errado na hora errada. Nossos votos para que, num país que se diz “ estado de direito”, uma situação destas não se repita NUNCA MAIS.
Um dos elementos que estão na origem desses levantamentos populares é a subida do preço do pão – quase simultánea com o incremento das tarifas de energia eléctrica, do fornecimento da água potável e dos combustíveis (esses últimos tendo conhecido incrementos regulares nos passados meses). A tensão no seio do povo já estava presente há meses devido ao aumento do custo da vida. Lamentamos que mais uma vez, quem é de direito não se tenha dado conta até as manifestações da semana passada acontecerem.
O pão, embora Moçambique não seja produtor de trigo, tornou-se um alimento diário básico para milhares de famílias moçambicanas do meio urbano. Sabe-se que o trigo, tal como outros bens alimentícios, é cotado nas bolsas mundiais, tornando-se assim um bem com valor muito volátil e sujeito à especulação, que depende dos altos e baixos dos mercados. No presente caso, o aumento do preço do trigo a nível mundial, seria derivado, entre outros motivos, do corte no seu fornecimento pela Rússia, que foi vítima, nas passadas semanas, de incêndios de grande amplitude, que atingiram as zonas produtoras desse cereal. Como então se justifica que incêndios no mato Russo possam ter consequências tão desastrosas para populações africanas, e mais particularmente moçambicanas?
Avaliando a situação que acabamos de assistir no nosso País (que provavelmente repetir-se-á não só em Moçambique mas também noutros países africanos, tal como aconteceram, em 2008 e pelos mesmos motivos, as chamadas “revoltas da fome” com o aumento do preço do arroz em vários pontos do continente e não só) fica óbvio que “há algo de podre no reino da globalização”. De realçar que mais uma vez, os países do chamado “terceiro mundo” são vítimas das crises que o “mundo desenvolvido” produziu. Daí nossas fortes dúvidas se realmente é esse o modelo que nós, os chamados “países pobres”, devamos seguir.
Como UNAC, reiteramos hoje o que temos estado a exigir a nível nacional, mas também a nível internacional dentro da Via Campesina: os nossos governos – e o governo moçambicano em particular - têm que levar a cabo compromissos políticos a longo prazo, por forma a reconstruir as economias alimentares nacionais. Os países doadores têm um peso extremamente grande no orçamento geral do País. Apelamos aos Governos destes países para observarem os compromissos de Paris e Accra no que concerne ao respeito pela soberania nacional na definição da agenda do nosso País.
A grande prioridade deve ser dada à produção alimentar doméstica para minimizar a dependência do mercado internacional. Os camponeses e pequenos agricultores devem ser estimulados, através de melhores preços para seus produtos e mercados estáveis, para produzir alimentos para si, para suas comunidades e para as cidades. Isto significa um aumento do investimento na agricultura do sector familiar, em pequenas e médias explorações para fazer face ao mercado interno, assim como medidas para controlar as importações baratas de bens alimentares.
A UNAC quer insitir aqui no termo “agricultura camponesa”, por oposição à “agricultura de grande escala virada a exportação”: a agricultura camponesa significa que ela basea-se nos camponeses e nas camponesas, que desempenha uma função social e cultural, zela por uma produção alimentar de qualidade, orgânica e adaptada aos hábitos e costumes alimentares locais, livre da especulação nas bolsas mundiais.
A UNAC insiste na necessidade de se olhar de forma mais positiva para a agricultura camponesa. As políticas neoliberais foram gradualmente formatando a alguns de nós, de que “os camponeses só produzem para a subsistência”, portanto “não é com eles que se pode dar o salto qualitativo para o desenvolvimento e o que é preciso é que a agricultura seja negócio e mais negócio”, daí a paranóia da agricultura de grande escala ou “agribusiness”. Vários exemplos em defesa desta argumentação nos são apresentados e que, portanto, é ela que devemos seguir. Isto é o que se propaga e implementa nos países ditos desenvolvidos e não só.
O que acontece é que as crises alimentares vão sucedendo uma a outra periodicamente à medida que se avança nesta direcção. É verdade, todavia, que os países que praticam este modelo produzem muito mais do que necessitam, mas uma grande parte da sua população passa fome. Um exemplo muito badalado deste modelo é o da nossa vizinha África do Sul. Sabe-se, todavia, que neste país há milhões a passarem fome e até em alguns casos pior que nas nossas zonas rurais, disso não se fala. É aqui onde está o problema.
O sector familiar beneficiando de incentivos e com políticas que levem ao seu crescimento - acesso ao crédito, terra, água, tecnologias, serviços adequados de extensão - pode produzir muito mais, assim como, logo à partida, contribuir grandemente para a distribuição. A produção e a distribuição vêm em cadeia. Não é necessário que os produtores de alimentos sejam comerciantes especuladores de comida para dar um forte contributo ao desenvolvimento sustentável e à Soberania Alimentar dos povos. Isto é que deve ser profundamente analisado, porque erro maior, é permanecer no erro!
Acontecimentos como os da semana passada em Moçambique corroboram com a nossa perspectiva de luta: os alimentos não são uma mercadoria qualquer. É inaceitável que uma população, na sua maioria pobre, fique à mercê dos mercados mundiais para comer ou não comer, quando um País como Moçambique possui terras e recursos naturais mais que suficientes para assegurar alimentos, tanto para o campo como para as cidades.
Saudámos as medidas anunciadas pelo Governo Moçambicano no passado dia 7 de Setembro, para conter os aumentos de preços e acalmar os espíritos. No entanto, solicitamos o Governo para avançar com medidas sustentáveis a longo prazo, para que as que foram tomadas não passem de meros paliativos, sem que todo o sistema alimentar do nosso país seja revisitado. Solicitamos ainda o Governo para melhorar os mecanismos de colaboração com os camponeses e as camponesas nos planos governamentais para o futuro.
Como UNAC, nosso dever e nossa missão é de continuar a lutar para que as familias moçambicanas, das cidades e do campo, enfim, nosso País como um todo, alcance a Soberania Alimentar. Posicionamento da União Nacional de Camponeses

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Onde arranjou dinheiro? Hein..?

Vão tentar nascer aqui em Moçambique capitalistas pretos - a chamada burgesia nacional. Aqueles que tem vocaçao capitalista, agora com chegada da independência, estão a deitar a barba agora, nã é ?
(Aplausos) Ganância de fazer resuscitar o colegio Luis De Camões. Agora que foi... Que faliu o dono, vou ser eu. Como sou preto vão tolerar explorando outros pretos, heu! (Aplausos). É que no sistema capitalista o médico quando estuda é para explorar. O medico, o medico não quer fazer outra coisa que se não fazer votos para que haja muitos doentes. Havendo muitos doentes, terá muito dinheiro. Ouviram? (Ouviram) Ouviram? (Ouviram). Agora o conhecimento é um instrumento explorador no sistema capitalista.
O conhecimento do individuo - estudou um poucozinho ou licenciou-se. Bem, tem o seu diplomazito, pronto, esta pronto, esta autorizado a explorar. Faz lá...segui as...seguiu lá...Letras. É o senhor doutor, chegou aqui senhor doutor, senhor doutor, doutor de explorar. Ouviram?(Ouviram) . Nao é doutor para ensinar o povo. Doutor aonde também, com um conhecimento bastante reduzido, pequinito, fraco, débil, que necessita de outros, do apoio dos outros. Ele não produz, senão uma repitiçao daquilo que foi inculcado pelo capitalismo. É uma repitiçao. Não cria absolutamente nada. Porque está isolado do povo, está isolado da prática.
A primeira ganância, primeira ganância, criar colegios. Quem vai a esses colégios? É o povo? Quem vai la ? Quem vai lá? Quem vai lá? A escola deixa de ser a base para o povo tomar o poder. É ou não é? (É). Passa a ser um instrumento de exploraçao. É ou não é? (É). Não queremos em Moçambique. Não queremos isso em Moçambique. Nao há lugar para exploradores aqui. Preto ou branco não pode explorar o povo. O dever de cada um de nós - dar tudo ao povo. Sermos últimos quando se trata d beneficios. Primeiro quando se trata de sacrificio. Isso é que é servir o povo. Servir o povo. O nosso conhecimento deve morrer na terra. Os nossos conhecimentos devem ser examinados constantemente pelo povo. Ouviram camaradas? (Ouviram), Ouviram? (ouviram).
Alguns ja estao a organizar para comprar dez tractores. Ja exploraram a zona onde irão produzir. Nao é assim? Nao há produçao individual em Moçambique. Produçao colectiva, para colectivamente matarmos a fome, matarmos a miséria no nosso país. Ouviram? (Ouviram) Ouviram? (ouviram).
Porque estes individualistas são, ao mesmo tempo, instrumentos do imperialismo, não são eles? Onde vão encontrar o dinheiro? Vocês todos são pobres aqui. Pobres todos aqui, todos!. Daqui a três anos nós vamos ver alguns a levantar edificios de quinze andares. Onde arranjou o dinheiro? Onde arranjou o dinheiro? Hem? Nao é vocês aí! Voces aí! E nós aqui também! E nos também aqui!. Estou a dizer a vocês e nós também. Se eu levantar um predio, façam o favor de me perguntar. Ouviram? Perguntar, "entao camarada Samora aonde arranjou o dinheiro? Três anos? (Risos, aplausos). Três anos de indepedência! Camarada Samora, então onde está o povo agora? O povo também ja tem muitos predios?" Estão a ouvir? (Estao!).
Temos d combater contra os exploradores do povo, e se pudermos liquidar ainda no estado embrionário, matar o pintainho no ovo, hem?
Discurso de Samora Machel, 14 de Junho de 1975, cidade da Beira

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Medidas que Guebas não tomou

1. Acabar com as desnecessárias passeatas em helicópteros. O PR pode muito bem visitar as provincias usando outros meios (incluindo aviões comerciais da LAM) em vez de gastar avultadas somas em aluguer de helicopteros.
2. Acabar com os beneficios fiscais às grandes empresas (como a Mozal). É tempo de Guebas pensar na justiça tributária.
3. Acabar com as restrisções à importação do frango, e assim poupar o bolso do "maravilhoso povo" moçambicano. O frango nacional custa uma fortuna....Tragam-nos de volta a magricela brasileira que é barrata... Não é razoavel continuarmos a proteger uma industria avicóla nacional que já deu mostras de ineficacia em todos sentidos.
4. Acabar com as casas de cambio "piratas" que distorcem o nosso mercado cambial. Será que Guebas não sabe que muitos vendedores do mercado Central de Maputo são também "candongueiros de taco?"
5. Acabar com o ócio no sector público. O estado não pode se dar ao luxo de pagar salários a gente que não acresce valor algum. Os que pregam revolução verde no MINAG já deviam nos apresentar algo palpavel... E os pregadores do envagelho da jatropha e ou de biocombustiveis no Ministério da Energia (cadê resultados?)
6. Acabar com aqueles que mancham a sua governação, com descursos belicistas e que em nada contribuem para estabilidade social. Há que chamar à razão o ministro Pacheco para que saiba falar com "o maravilhosos povo", sobretudo em momentos de convulsoes sociais.
7. Acabar com fuga ao fisco, muitas vezes, patrocinada por aqueles que a deviam combater;
8. Acabar com exorbitantes mordomias dadas aos companheiros da escolinha da soneca;
9. Acabar com despesas em acções que não se mostrem prioritárias para o estágio actual, como a famigerada revisão constitucional. Será que o PR já pensou nos custos desta operação?
9. Acabar com a robalheira dos governos municipais. Chega de cobrar taxas por serviços que não nos são providos. (Porquê cobrar taxa de lixo a moradores de Nkobe que nunca beneficiaram de serviços autarquicos de recolha de lixo?)
10. Acabar, acabar e acabar.....

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Why should churches engage to promote accountable governance?

I am convinced that the genuine participation of churches in accountable local governance is an investment in the democratic ideal. We ought to engage local government because it is our moral and constitutional obligation to do so and also because we enhance the culture of democracy born through the first democratic election of 1994. Furthermore, we are required to work together to protect the public space with the endowment of democratic participation. Churches are an immense resource, have a distinctive critical and constructive role to play in the civil discourse and their absence will leave the discourse poor and unsustainable – I would argue that society is impoverished when religious perspectives of life is excluded and marginalised. There is a great African proverb which says. “If you want to walk fast, walk alone but if you want to walk far, walk with others” hence I call for much closer cooperation and interaction with all those involved in a vision for a new society. Citizens of faith have a prior moral and legal responsibility for accountable governance – governance that protects and cares for the vulnerable, the poor, the excluded and the marginalized. The Book of Proverbs (31:8-9) puts it plainly: “Speak out for those who cannot speak, for the rights of all the destitute. Defend the rights of the poor and needy.” Such is our calling – no more – no less. Let us remember that the greatest gift that we can bestow upon this and the future generations is to wrestle together with the challenges of our time to build a more human and prosperoussociety
Palavra do Bispo da Igreja Metodista da RSA,
Ivan Abrahams

Coisas do Mundial

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terça-feira, 18 de maio de 2010

Fidelidade

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

Brincando aos Honoris-Causa

Anda uma febre em Moçambique, que se traduz na distrubuição de Doutoramentos Honoris Causa. Os titulos são dados a qualquer um, não importa que tipo de camponês a pessoa é. Não importa se bom ou mau camponês. Não importa se verdadeiro ou falso camponês. O que interessa, mesmo, é distribuir honoris.
Só neste ano, foram sorteadas muitas pessoas, com os tais canudos. Canudos tão vazios que mais e apenas servem para ridicularizar quem os distribui e assim como a quem os aceita receber. Canudos que apenas tem o fito de vulgarizar, desprestigiar e anular o real valor de um Doutoramento Honoris Causa.
Vi na TVM que um Instituto Superior baseado na Beira, ainda na idade de tomar NAN, LACTOGEN ou Calostro materno, acabava de outorgar um título de Doutor Honoris Causa a um Moçambicano que não fixei o nome. O tal Instituto Superior dada a sua tenra idade, ainda não graduou sequer um bacharel mas já tem coragem de dar passos bem largos que os seus proprios pés. O tal Instituto a correr sei lá para onde, decidiu na mesma cerimónia que dava o honoris ao meu compatriota, graduar uns doze licenciados vindos de outras universidades mas que por razões não reveladas foram concluir os seus cursos no famigerada casa da ciência.
Me parece que já chegou o tempo de começarmos a ser sérios nestas coisas, se queremos crescer como nação, se queremos ser reconhecidos e respeitados pelos outros, se queremos que as nossas instituições do ensino superior se equiparem às de outros paises.
E desde já, dou os meus parabens aos general Chipande que gazetou ao evento. Aliás, ele também tem um diploma a sua espera no Instituto Superior que leva o seu nome, lá nas bandas do Chiveve. Eu no lugar dela, não-o acitava.
Ish Moçambique anima.....

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Andar fora é maningue arriscado

Imagens recebidas via email.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Akuna mathatha

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Bárue: da resistencia a perdição

Estive por cerca de 5 dias na vila de Catandica, sede do distrito de Bárue, na ultima semana de Março. Bárue é daqueles locais incontornaveis na Historia de Moçambique, sobretudo por ser um dos sitio onde os colonos transpiraram até a exaustão. Aliás, quando lá estive, concidi com as comemorações de mais um aniversário da revolta de Bárue.
Fiquei deveras feliz por ter tido a oportunidade de privar com profundos conhecedores da historia local. Entristeceu-me, no entanto, a fraca divulgação das festividade de Bárue. Difentemente das manchetes noticiosas relativas a Gwaza Muthine, quando viramos para Bárue pouco ou nada se diz na maioria dos órgãos da comunicação social.
Mas como por cima de um lindo pano cai a péssima nódoa, conheci em Bárue um régulo perdido no tempo. Um régulo que ainda não percebeu que estamos em 2010. Contam as populações de Bárue que o régulo é um osso dificil de roer, tudo por causa das suas atitudes imprevisiveis. Contaram-me que aquele régulo está envolvido numa campanha espacionista. É isso, campanha espacionista, tal como faziam os Tchakas, Ngungunhanas, etc. O homem acredita que todo o território do que hoje é distrito de Bárue, fora dos seus antepassados e por isso, só ele pode mandar em todo ele. E em extensão, não tolera a existência de outros régulos.
Quando encontrei o temido régulo, ele ia acompanhado de dois capangas seus, que ele os chama de guarda-costas. Dizem os que melhor o conhecem, que quando o homem circula fora da vila, os capangas levam consigo machados e catanas para, supostamente, protegerem o régulo selvagem.
O temido régulo de Bárue, pratica as mais bizaras acções, desde prisões arbitrarias às populações indefesas, até ao desrespeito às autoridades Estatais. Dizem que, chegou a prender um clérigo que o encontrou a orar junto a uma montanha. Segundo contam, o régulo não gostou de encontrar o clérigo a orar naquela montanha sem antes ter solicitado autorização para o efeito e por isso o pastor foi sujeito a 3 dias de jejum forçado e obrigado a abrir, sem nenhum instrumento, uma cova de cerca de 5 metros de profundidade.
O temido régulo de Bárue, manda e desmanda e ultimamente decretou que, as comunidades por onde ele passar devem lhe assegurar mantimento, desde carne de galinha até a de cabrito. Afinal ele é o régulo.
O régulo de Barue é regulo mesmo...

quinta-feira, 4 de março de 2010

ISRAELI APARTHEID WEEK

Mais uma vez, o mundo pára, esta semana, para reflectir e protestar contra a ocupação ilegal dos territorios palestinianos pelo governo segregacionista do Israel.
Desde 2005, que o mundo dedica uma semana para exigir o fim da ocupação Israelita aos territorios palestinianos, o direito de muitos Arabes Palestinianos a retornarem as suas terras em Israel, ao fim da desigualidade de tratamento entre Israelitas(Arabes e Judeus) e finalmente, a destruição do murro da vergonha erguido pelo regime instalado na terra santa.
Este ano, mais de 40 cidades e dezenas de universidades do mundo inteiro, comemoram a Israel Aparetheid Week com uma série de palestras, sessões de exibição de filmes e outras acções de repudio à barbaridade Israelita.
Não tendo informação de alguma iniciativa a decorrer em Maputo, uso este espaço para me juntar aos milhares de activistas pela paz, pelos direitos humanos e pela causa palestiniana para condenar e repudiar as acções macabras, desumanas e sanguinarias do governo Israelita.
Pela paz, direitos humanos e solidariedade, juntemo-nos na luta contra o Apartheid Israelita.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Adieu Tandja

Augusto Paulino esteve certo quando disse que "o cajú cai por si logo que fica maduro". No Niger, o cajú caiu ontem. A junta militar não se poupou, colocou na rua um dos homens que usando malabarismos político-legais tentava se manter a todo custo no poder. É que, só um psicopata brinca com chifres de um boi vivo. Tandja tentava fazer isso, se esquecendo que as pessoas toleram até um determinado ponto e a partir dai a cor muda.
Tandja e muitos presidentes Africanos, incluindo o Angolano, sempre se consideraram Democratas mas em nenhum momento governaram democraticamente. Usam a capa da Democracia para serem bem vistos fora, e assim esconder a seu lado maquiavelico e brutal quanto à governação do seu povo.
Alguns lideres Africanos dizem, sim à Democracia, sim à limitação de mandatos e ainda de uma forma hipócrita, dizem sim à boa governação ou seja, sim à responsabilidade, sim à transparência, sim à prestação de contas, sim à participação ou governação inclusiva. Mas o sim deles não passa de um "sim cínico".
Infelismente muitos lideres africanos continuam a dar um mau exemplo a milhares de jovens que têm em déspotas os seus modelos. Aliás, um program da BBC, president for a day, mostra isso, é só acompanhar aqui. No programa da BBC, quase todos jovens que nele participam, revelam a sua paixão pela ditadura e monarquias despotas.
Se em principio sou contra golpes de Estado, considero que em certas situações elas ajudam a meter no caixote de lixo, alguns tigres insanciáveis que loucamente nos querem fazer acreditar que só eles é que têm o direito e o dever Divino de governar certos países.
Da mesma forma que não me surpreendi com o golpe na Guiné Conacri, também festejei o Golpe no Niger e não me surpreenderia se qualquer dia, paises como Sudão, Madagascar e tantos outros tivessem o mesmo presente.

A mim, só resta dizer: longa vida a Junta Militar e Adieu Tandjá.

Imagem tirada daqui

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010